Forte presença nacional em Cannes

09/05/2024
Oito filmes com assinatura portuguesa vão estar em destaque no Festival de Cannes, que começa já no próximo dia 14 de maio. Dois integram a seleção oficial, em competição, um está na Cannes Premiére, quatro na Quinzaine des cinéastes e uma curta portuguesa consta do programa na Semaine de la Critique.

"Grand Tour”, de Miguel Gomes está na seleção oficial da 77.ª edição do Festival de Cannes, que decorrerá de 14 a 25 de maio. É primeira longa-metragem portuguesa candidata à Palma de Ouro nos últimos 18 anos.

O argumento desta coprodução da Uma Pedra no Sapato (Filipa Reis) com Itália, França, Alemanha, China e Japão, é de Mariana Ricardo, Telmo Churro, Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes. A história passa-se em Rangum, na Birmânia, em 1917, e tem como protagonistas Crista Alfaiate e Gonçalo Waddington. De acordo com a sinopse, Edward, um funcionário público do Império Britânico, foge da noiva Molly, no dia em que ela chega para o casamento. Nas suas viagens, porém, o pânico dá lugar à melancolia. Contemplando o vazio da sua existência, o cobarde Edward interroga-se sobre o que terá acontecido a Molly... Desafiada pelo impulso de Edward e decidida a casar-se com ele, Molly segue o rasto do noivo em fuga através de um Grand Tour asiático.

Esta produção foi apoiada pelo ICA - Instituto do Cinema e do Audiovisual, PIC - Fundo de Apoio ao Turismo e ao Cinema, MIC - Direzione Generale Cinema e Audiovisivo, Regione Lazio, Région Sud - La Région Provence Alpes-Côte-d'Azur, CNC - Centre national du cinéma et de l’image animée, Institut Français, Eurimages, Creative Europe - Media, Programa Ibemerdia, RTP, ZDF/ARTE.

 "Bad For a Moment”, de Daniel Soares, também disputa a Palma de Ouro na competição de curtas-metragens do Festival de Cannes.

Esta produção da O Som e a Fúria com a Kid With a Bike conta a história do dono de um atelier de arquitetura que participa num evento de team-building que corre mal. Facto que e o vai obrigar a encarar a realidade do bairro popular que a sua empresa está a gentrificar.

Daniel Soares é um argumentista, realizador e fotógrafo português, nascido na Alemanha. "O Que Resta” (2021), a sua primeira curta-metragem narrativa, foi exibida no Festival Internacional de Telluride, em Clermont-Ferrand e no Festival Internacional de Hong Kong. O filme ganhou o Grande Prémio do Festival Premiers Plans em Angers e o prémio de melhor curta-metragem nacional do IndieLisboa.

Em 2022, participou na Locarno Spring Academy, onde realizou a sua segunda curta de ficção "Please Make It Work”(2022), que estreou no Festival de Locarno e teve a sua estreia internacional na Competição Labo de Clermont-Ferrand. Entre outros, ganhou o prémio para melhor curta internacional no Festival Internacional de Zagreb.

"Bad for a Moment” contou com o apoio do ICA, Europa Criativa Programa Media, GDA e MovieBlock.

Na seleção oficial da CANNES PREMIÉRE está "Miséricorde”, escrita e realizada por Alain Guiraudie. O filme resulta de uma coprodução entre França (CG Cinéma), Espanha (Andergraun Films) e Portugal, através da Rosa Filmes, que recebeu o apoio do ICA às coproduções minoritárias em 2023.

A história gira em torno de um homem de trinta anos, Jérémie, que regressa à sua terra, uma aldeia remota em França, para assistir ao funeral de um velho amigo e acaba envolvido numa teia de rumores e suspeitas. "Miséricorde” é descrito como um film noir, onde a temática da morte está sempre presente, assim como as questões de consciência e moral que assolam as principais personagens.

 

QUATRO FILMES COM ASSINATURA PORTUGUESA NA QUINZENA DE CINEASTAS

Neste programa independente não competitivo, que decorre em paralelo ao Festival de Cannes e é organizado pela Sociedade de Realizadores de Cinema, destacam-se 2 curtas-metragens e duas longas com assinatura nacional.

"A Savana e a Montanha”, terceira longa-metragem de Paulo Carneiro, é uma das selecionadas para a 56ª edição da Quinzena de Cineastas.

Há sete anos, a comunidade de Covas do Barroso, no Norte de Portugal, descobriu que a empresa britânica Savannah Resources planeava construir uma das maiores minas de lítio a céu aberto da Europa junto às suas casas. Perante esta ameaça iminente, a comunidade decidiu organizar-se para os expulsar das suas terras. Este filme, em formato western, inspira-se nesta recusa e na luta das gentes de Covas do Barroso contra um inimigo forte, que conseguiram vencer. Foi produzido pela Bam Bam Cinema (Portugal) com coprodução da La Pobladora Cine (Uruguai). O argumento é de Paulo Carneiro e Alex Piperno.

"Algo viejo, algo nuevo, algo prestado”, segunda longa-metragem do realizador argentino Hermán Rosselli, que conta com a participação da Oublaum Filmes, de Ico Costa, também integra a Quinzena dos Cineastas. Este filme que conjuga ficção e documentário retrata a história da origem, apogeu e queda da família Felpeto, que durante décadas geriu um negócio de apostas clandestinas.


De acordo com a sinopse da produtora portuguesa "Maribel é responsável pela coordenação de um grupo de operadores que calculam as apostas na sala de estar da sua casa. Alejandra, a sua mãe, vive numa casa idêntica, a poucos metros de distância, onde funciona a administração. Nos últimos dias, foram feitas rusgas a alguns capitalistas do jogo e o ambiente no bairro é tenso. Fala-se de purgas na polícia e de grandes movimentações de dinheiro. Ninguém sabe até que ponto os rumores e os noticiários televisivos são verdadeiros”.


Envolvidas nesta produção, estão a 36 Caballos (Argentina), Un resentimiento de provincia (Argentina), Protón Cine (Argentina), Zebra Cine (Argentina), Oublaum Filmes (Portugal), Jaibo Films (Argentina), Arde Cine (Argentina).


"Quando a terra foge” é uma curta-metragem realizada por Frederico Lobo, cuja ação também decorre na região transmontana. É uma coprodução da Terratreme Filmes e da Rua Escura. De acordo com a sinopse oficial "entre o nevoeiro, num pleno labirinto do tempo, onde máquinas sondam as profundezas geológicas da montanha, um pastor vai em busca de uma vaca tresmalhada e a infância encontra o seu regresso. A Serra transforma-se, o ciclo continua”.


Ainda nesta secção, destaca-se a curta-metragem "O jardim em movimento”, produzido, escrito e realizado por Inês Lima. O filme acompanha o trabalho de duas guias botânicas que conduzem um grupo de caminhantes pelo Parque Natural da Arrábida. No passeio, entre várias espécies da fauna e flora, vai-se tornando claro como este lugar está a sofrer uma mutação, não por causas naturais, mas pela mão humana.


Inês Lima é uma artista independente que explora as possibilidades da imagem em movimento, paisagens sonoras, escrita e programação. Tem vindo a trabalhar o suporte analógico como veículo experimental na sua prática artística, cruzando temas pessoais com natureza e ecologia, tradições e memória, antagonismos e superstições. O seu trabalho tem sido exposto em festivais nacionais e internacionais e exibido em espaços culturais como a Cinemateca Portuguesa, Museu MALBA (Argentina) ou o Centro Cultural Tabakalera (Espanha).

Uma curta na SEMANA DA CRÍTICA

"As minhas sensações são tudo o que tenho para oferecer”, de Isadora Neves Marques, foi selecionada para a competição da secção paralela do Festival de Cannes, organizada pelo Sindicato dos Críticos de Cinema de França.



A quarta curta-metragem de metragem de Isadora Neves Marques, produzida pela Foi Bonita a Festa, conta uma história sobre família e expectativas, diferenças de classe e isolamento psicológico, sob um fundo especulativo ou de ficção científica, no qual é permitido aceder às sensações e pensamentos de outras pessoas telepaticamente através da toma de um pequeno comprimido. No elenco conta com Ágata de Pinho, Isadora Alves, Mário Afonso e Albano Jerónimo.

Isadora Neves Marques já realizou os filmes "Tornar-se um Homem na Idade Média” (2022), "A Mordida” (2019) e "Semente Exterminadora” (2017) e assinou a instalação fílmica "Vampires in Space” (2022), que representou Portugal na 59ª Bienal de Veneza, em Itália.