Filmes portugueses em Berlim

26/01/2024
Há seis obras com assinatura portuguesa que serão exibidas no festival alemão, que decorrerá de 15 a 25 de fevereiro. Há duas longas-metragens da Ar de Filmes e Rosa Filmes em competição.

 "Mãos no fogo”, da realizadora portuguesa Margarida Gil, foi selecionado para a secção competitiva do Berlinale, "Encontros”. Esta longa-metragem com produção da Ar de Filmes conta com Acácio de Almeida na direção de fotografia.

De acordo com a sinopse divulgada "A fim de concluir a sua tese sobre o Real no Cinema, Maria do Mar filma os velhos solares do Douro e Minho. Falta-lhe apenas uma casa, mais isolada, escondida entre vinhedos. Encanta-se com tudo o que lhe parece genuíno e a seu ver, verdadeiro. Até um dia. A sua comovente candura leva-a, às cegas, ao fundo do abismo. Foi-se meter numa autêntica casa dos horrores”. O elenco conta com Carolina Campanela, Rita Durão, Adelaide Teixeira, Marcello Urgeghe, Ricardo Aibéo, Sofia Vilariço, Elgar do Rosário e Sara Santos, entre outros.

"O Império”, de Bruno Dumont, uma coprodução da Rosa Filmes com França, a Itália, Alemanha e a Bélgica, está na competição oficial.  A história de "O Império” decorre numa aldeia piscatória no norte de França, invadida por extraterrestres, cuja população é apanhada de surpresa numa batalha intergaláctica entre o Império do Bem e o Império do Mal. Afinal, no centro desta disputa está a luta por um bebé nascido na aldeia, filho de um jovem casal separado, que as profecias cósmicas anunciam como a chave para o poder do universo. É uma obra de ficção científica centrada na luta, de cada ser humano, entre o bem e o mal. Ao exteriorizar esta disputa para uma dimensão interplanetária, o realizador oferece uma visão cáustica e cruel da "Guerra das Estrelas".

Na secção Forum estão dois documentários. "As noites ainda cheiram a pólvora”, de Inadelso Cossa, é uma coprodução entre Moçambique, Alemanha, França, Portugal (DuplaCena), Países Baixos e Noruega. Preocupado com as memórias fragmentadas da sua infância durante a guerra civil em Moçambique, o realizador regressa à aldeia da avó, que sofre de Alzheimer, para revelar histórias não contadas. No mesmo local, vive um antigo rebelde. De acordo com a sinopse divulgada pela produtora portuguesa, "Perpetrador e vítima, dia e noite, verdade e ficção misturam-se. Enquanto a minha geração enfrenta novas tensões, os fantasmas da guerra são incansáveis e esperam na escuridão”.

Na mesma categoria do Berlinale, destaca-se "Ressonância em Espiral”, um documentário com assinatura de Filipa César e Marinho de Pina, coproduzido por Portugal (Stenar Projects), Guiné-Bissau e Alemanha. O filme visita a Mediateca Onshore, um projeto comunitário cultural iniciado em 2018, pela cooperativa guineense Geba Filmes e que, depois de um período de itinerância, se instalou em Malafo, uma aldeia no centro da Guiné-Bissau, que é descrito como "um arquivo e um clube para práticas ‘agropoéticas’”. Depois da sua passagem por Berlim, este ensaio documental, vai ser exibido no Doc Fortnight, festival de cinema organizado pelo Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova Iorque, e em março compete no Festival Cinéma du Réel, em Paris.

No mercado das séries vai ser apresentada "Matilha”, uma produção da Arquipélago Filmes, atualmente em exibição na RTP, que é protagonizada por Afonso Pimentel, Margarida Vila-Nova, Ricardo Pereira e Beatriz Godinho. "Matilha”, criada por Edgar Medina e realizada por João Maia, é um thriller rápido, repleto de humor negro, centrada na vida de um marginal lisboeta, de bom coração, que tenta manter o novo emprego e construir uma vida honesta com a sua namorada. Mas o mundo do crime volta a bater-lhe à porta e a saída não é fácil.

"Nocturno para uma floresta”, integra a Semana da Crítica de Berlim. Escrito e realizado por Catarina Vasconcelos e produzido por Primeira Idade a partir do trabalho realizado numa residência artística com Aderno, o filme é protagonizado por Paula Guedes no papel de Josefa d'Óbidos.

O 74.º Festival de Cinema de Berlim decorre de 15 a 25 de fevereiro e vai entregar um prémio de carreira ao realizador norte-americano Martin Scorsese.