Festival de Documentário de Melgaço com estreias nacionais

Fonte: MDOC
03/07/2024
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Imigração, clandestinidade, colonialismo, direitos humanos e ambiente são temas centrais dos filmes portugueses que integram a competição da 10.ª edição do MDOC.

O Festival Internacional de Documentário de Melgaço começa a 29 de julho com algumas estreias nacionais entre os filmes em competição: "Percebes”, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves,  "A Savana e a Montanha”, de Paulo Carneiro, "Couto Mixto”, de João Gomes e "Um mergulho em água fria”, de Raquel Loureiro Marques. 

Premiada no Festival de Annecy, a curta-metragem de animação "Percebes”, é um documentário animado em aguarela e digital, que retrata o ciclo de vida e da apanha deste crustáceo no Algarve. O tema serve também de crítica ao turismo massificado, ao desordenamento do território e à relação dos habitantes locais com a água e o ar.

"A Savana e a Montanha” de Paulo Carneiro, que esteve na Quinzena dos Cineastas, no Festival de Cannes, e tem estreia nacional no festival minhoto, retrata a luta dos habitantes de Covas de Barroso (concelho de Boticas) contra uma multinacional britânica – Savannah Resources – que pretende construir a maior mina de lítio a céu aberto da Europa a poucos metros dos terrenos e casas da aldeia. Um documentário de resistência que amplifica – com elementos do género western e alguma fantasia – a luta, a criatividade e a resistência da comunidade local.

"Couto Mixto”, por sua vez, fala sobre a magia de um lugar, um estado independente de identidade híbrida galega e portuguesa. Em estreia nacional, está também "Um mergulho em água fria” sobre imagens que deram forma ao imaginário de família da realizadora Raquel Loureiro Marques.

Na competição aos prémios Jean-Loup Passek e D. Quixote (atribuído pela Federação Internacional de Cineclubes), competem ainda "Tão pequeninas, tinham o ar de serem já crescidas”, de Tânia Dinis, um relato ficcional e documental sobre várias mulheres que, entre os anos 40 e 70, vieram para a cidade do Porto trabalhar como criadas de servir. 

No MDOC concorrem ainda "Fogo no Lodo”, de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca, filme que retrata a guerra colonial vivida entre os balanta conhecidos como "aqueles que resistem” (povo com forte tradição de resistência ao colonialismo português); "As Melusinas à margem do rio”, de Melanie Pereira, uma conversa/reflexão com quatro mulheres sobre as suas identidades incertas e fragmentadas - o que é ser imigrante sem o ser, e ser luxemburguesa sem o ser; "Clandestina”, de Maria Mire, mostra um mergulho no passado e na vivência de Margarida Tengarrinha que entra na clandestinidade em Portugal e se torna falsificadora por militância política; e de Agnes Meng concorre com o filme "Histórias de Contrabandistas”, uma viagem pelas memórias da aldeia de fronteira de Tourém onde se cruzaram vidas difíceis, aventuras inesquecíveis e histórias sobre o "ninho de contrabandistas”.

O festival de Melgaço decorre até 4 de agosto.

Programa completo no site do evento.

 

 

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