PORTUGAL REPRESENTADO NA 66.ª BERLINALE COM OITO FILMES

21/01/2016
Posto Avançado do Progresso, Eldorado XXI e Rio Corgo foram recentemente confirmados na seleção da 66.ª edição da Berlinale.

O cinema português estará presente no certame alemão com quatro curtas e quatro longas-metragens.

 

PRODUÇÕES DE ORIGEM LUSA EM BERLIM

Sopram bons ventos de Berlim para as produções de origem lusa. A película Posto Avançado do Progresso, de Hugo Vieira da Silva, e os documentários Eldorado XXI, de Salomé Lamas, e Rio Corgo, de Sérgio da Costa e Maya  Kosa, são as mais recentes entradas para a seleção da secção Fórum da 66.ª Berlinale.

Os filmes juntam-se assim a Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, que entra na competição para o Urso de Ouro para o Melhor filme. As produções portuguesas dão cartas no segmento das longas-metragens, mas também no das curtas: Balada de um Batráquio, de Leonor Teles, e Freud und Friends, de Gabriel Abrantes, foram escolhidos para integrar a competição de curtas-metragens do certame, ao passo que L’oiseau de la Nuit, de Marie Losier, e Transmission from the Liberated Zones, um filme-ensaio de Filipa César, farão parte do Forum Expanded.



ESTREIAS: CARTAS DA GUERRA E POSTO AVANÇADO DO PROGRESSO

O festival selecionou também duas longas-metragens portuguesas que só mais tarde chegarão às salas do País:

Posto Avançado do Progresso, que marca o regresso de Hugo Vieira da Silva ao festival berlinense depois de em 2011 lá ter apresentado a película Swans. Trata-se de uma adaptação da novela An Outpost of Progress, de Joseph Conrad, e conta uma história colonial de final do século XIX.

— Igualmente inspirado numa obra de literatura e igualmente passado na Angola colonial, Cartas da Guerra recupera as vivências do Ultramar do então jovem António Lobo Antunes. Um relato de África, da violência e da saudade, feito em cartas capazes de preservar não só a memória, como a sanidade do seu remetente.

Ambas as películas terão a estreia absoluta por terras germânicas, chegando aos cinemas portugueses, respetivamente, em março e no segundo semestre de 2016.



DO DOCLISBOA ’15 PARA A BERLINALE ‘16

Depois de em 2013 ter levado Terra de Ninguém à Berlinale, Salomé Lamas regressa com Eldorado XXI. O documentário passa-se a 5500 metros de altitude, na comunidade peruana de La Rinconada y Cerro Lunar, aquela que no mundo vive mais alto. Já o documentário ficcional Rio Corgo tem lugar numa aldeia portuguesa e conta a relação entre Silva, um velho e adoentado vagabundo, e a jovem Ana.

Estes documentários terão ambos estreia internacional em Berlim e integraram a edição de 2015 do Doclisboa, onde Rio Corgo se sagrou vencedor do Prémio Liscont para Melhor Filme da Competição Portuguesa. Serão, a par de Posto Avançado do Progresso, exibidos na categoria Fórum, considerada a mais experimental e original do certame.

OUTRAS PRESENÇAS PORTUGUESAS EM BERLIM

Paralelamente ao festival de cinema, entre 13 e 18 de fevereiro, terá também lugar na capital alemã o Berlinale Talents. Esta cimeira anual de networking reúne 300 criativos da indústria, uma lista onde este ano figurarão o produtor português Pedro Fernandes Duarte e os realizadores e argumentistas Inês Oliveira e André Marques.

Outro evento de networking agendado para a mesma altura é o Berlinale Co-Production Market. Marcado para os dias 14, 15 e 16 de fevereiro, também ele contará com uma presença lusa: Gonçalo Waddington. O ator, que realizou as curtas Imaculado e Nenhum Nome, far-se-á acompanhar do projeto Patrick, a sua primeira longa-metragem.

O Berlinale Co-Production Market constitui uma oportunidade para realizadores como Waddington, já que lhes dá a oportunidade de apresentar os seus projetos a profissionais da indústria cinematográfica. Este "mercado” integra o
European Film Market, no qual o Instituto do Cinema e do Audiovisual voltará a marcar presença com um stand.

A 66.ª Berlinale arranca a 11 de fevereiro na capital alemã, terminando no dia 21.