MIGUEL GOMES LEVA AS MIL E UMA NOITES AO FESTIVAL DE GOTEMBURGO

15/01/2016
O realizador lisboeta é o único português a constar no programa deste ano.
A longa-metragem tripartida As Mil e Uma Noites de Miguel Gomes integrará a seleção da 39.ª edição do Festival de Gotemburgo na categoria Visionärer. 
 

3 x 1001 NOITES

O realizador português Miguel Gomes está presente em "dose tripla” na edição deste ano do "festival do dragão” com o filme As Mil e Uma Noites. Esta será a estreia da longa-metragem por terras suecas, sob o título Arabian Nights. Com uma duração total de seis horas, a longa está repartida em três volumes, intitulados:

— Vol. I: The Restless One (O Inquieto);

— Vol. II:The Desolate One (O Desolado);

— Vol. IIIThe Enchanted One (O Encantado).

O festival apresentará estes três volumes tanto separadamente, como de forma conjunta, em formato "maratona”.


A película de Gomes retrata um Portugal afetado por intensas medidas de austeridade aplicadas como consequência da crise financeira, desenrolando-se no tempo de quase um ano (entre agosto de 2013 e julho de 2014). Inspirado na estrutura dos contos árabes d’As Mil e Uma Noites, este é um filme que mistura géneros como a ficção e a reportagem para pintar com espírito crítico e humor acutilante uma realidade atual.

Estreado em Cannes em maio passado, o filme tem sido escolhido para integrar diversos certames e foi considerado um dos melhores filmes de 2015 por órgãos de comunicação como

a Film Maker e o Euronews. A seleção para integrar a programação de Gotemburgo deste ano habilita-o automaticamente competir na categoria de Melhor Longa-Metragem, votada pelo público do Festival. 



DINAMARQUESES DOMINAM NO MELHOR FILME NÓRDICO

O Dragon Award Best Nordic Film 2016 é o maior prémio atribuído em Gotemburgo e também um dos mais chorudos no mundo, no valor de 1 milhão de coroas suecas (107.700 euros, aproximadamente). O vencedor será escolhido a partir de uma lista de oito nomeados de entre os quais realizadores dinamarqueses estão em grande destaque:

— Granny’s Dancing on the Table, de Hanna Sköld (Suécia);
— Sparrows, de Rúnar Rúnarsson (Dinamarca);
— A War, de Tobias Lindholm (Dinamarca);
— Land of Mine, de Martin Zandvliet (Dinamarca);
— The Mine, Aleksi Salmenperä (Finlândia);
— The Model, de Mads Matthiesen (Dinamarca);
— Welcome do Norway!, de Rune Denstad Langlo (Noruega);
— Yarden, de Måns Månsson (Suécia).

O júri encarregue de tomar a decisão nesta categoria será presidido pela realizadora Laurie Anderson (EUA). Acompanham-na diversos nomes da indústria cinematográfica nórdica, entre os quais a atriz sueca Saga Becker, o realizador dinamarquês Christian Braad Thomsen e a finlandesa Sara Norberg, diretora executiva do Festival Internacional de Cinema de Helsínquia.




OS NÚMEROS E AS FACETAS DO FESTIVAL DO DRAGÃO

A categoria Visionärer, que as três partes d’As Mil e Uma Noites integram, é apenas uma das mais de vinte secções em que estão organizados os filmes presentes na edição deste ano do Festival de Gotemburgo. O evento distingue filmes em mais de dez categorias, destacando-se os prémios que prevêm a atribuição de verbas em dinheiro, como os de Melhor Documentário Nórdico (10.770 euros, aproximadamente) e o Prémio da Cidade de Gotemburgo (cerca de 5.385 euros)

Para além da exibição de 450 filmes, oriundos de cerca de 90 países, em 14 cinemas locais, Gotemburgo transforma-se por esta altura do ano num foco pujante da indústria cinematográfica, albergando seminários, encontros, festas e outras atividades. O Festival representa uma oportunidade para conhecer produtos cinematográficos geralmente afastados dos circuitos mais comerciais e é uma montra do que de melhor que esta indústria faz a nível do norte da Europa.

O mais importante certame de cinema da península Escandinava arranca a 29 de janeiro, prolongando-se até dia 8 de fevereiro. Os bilhetes serão colocados à venda no próximo dia 16.

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