FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE CARTAGENA, O FESTIVAL QUE TAMBÉM FALA PORTUGUÊS

07/03/2016
Desde 2 de março que está em andamento o festival de cinema mais antigo da américa latina.

Festival Internacional de Cinema de Cartagena chegou este ano à sua 56ª edição e conta com filmes portugueses na programação.

 

FICC E O SANGUE LATINO






O FICC sempre teve um critério muito bem definido no que toca ao cinema que exibe. Com a prioridade a passar por filmes que privilegiam a identidade cultural dos países ibero-americanos, o interesse passa sempre por promover quase que uma irmandade cultural entre as culturas representadas.

Este ano não foge à regra e os seus mais de 140 filmes na programação representam todos um panorama do melhor que se faz nos países com sangue latino.

Aqui estão incluídas  na competição 2 curtas e 2 longas metragens. Terá ainda mais 2 filmes com produção portuguesa a fazer retrospectiva ao célebre realizador lituano Sharunas Bartas.

PORTUGAL EM CARTAGENA




Quem estiver atento ao panorama cinematográfico português, sabe que Sandro Aguilar está em cena há algum tempo. Fundador d’O Som e a Fúria, uma das mais célebres produtoras de cinema em português, começa em 1996, ano em que realiza a sua primeira curta-metragem e hoje apresenta-nos Bunker, uma curta carregada de elementos estéticos e que nos leva a viver um amor não correspondido. Bunker, que já teve destaque no Festival de Curtas de Vila do Conde, Festival Internacional de Curtas de Hamburgo e no Festival du Nouveau Cinéma do Canadá faz também parte integrante do cartaz do FICCI 56.
Luís Patiño é outro realizador que, apesar da sua origem galega, apresenta neste festival Noite sem Distância, uma curta metragem com produção portuguesa passada na Serra do Gerês e que nos mostra o contrabando entre 2 regiões irmãs, Minho em Portugal e a Galiza em Espanha, uma alegoria à sua, sempre furtiva ligação no decorrer dos tempos.
Na corrida estão ainda 2 longas metragens portuguesas: Cartas da Guerra de Ivo Ferreira, baseado no romance de António Lobo Antunes, que relata a experiência da guerra da independência angolana entre 1961 e 1974; e Home - The Country of Illusion de Josephine Landertinger Forero, uma co-produção portuguesa e colombiana que nos conta a vida de Lilia, mulher colombiana que nunca parou de percorrer o mundo para acabar a sua viagem em Portugal.
Paulo Branco também terá um papel de destaque no festival, desta vez através da exibição de 2 filmes que fazem retrospectiva ao célebre realizador lituano Sharunas Bartas.
"Few of Us” é o filme que projetou Sharumas Bartas para a cena cinematográfica europeia e mundial. Com produção do português Paulo Branco, este é o exemplo poético que tanto carateriza a obra de Bartas. O filme que explora a incomunicabilidade do mundo através da ausência de diálogo é um dos 6 filmes escolhidos para o tributo ao realizador da Lituânia, mas não é o único, uma vez que The House estará também em exibição no tributo ao realizador. Também ele com produção do português Paulo Branco.

FESTEJAR O CINEMA





O FICCI não esquece quem melhor representa a 7ª arte, com a edição deste ano a prestar tributo a 3 grandes nomes do cinema mundial. Falamos de Brilhante Mendoza, o multi premiado realizador filipino que vai ter 10 dos seus filmes exibidos no festival; Luis Ospina, considerado o primeiro realizador colombiano, que conta com 19 filmes em cartaz; e Susan Sarandon, a reconhecida atriz norte-americana que vai ter exibidos 6 dos filmes mais marcantes na sua carreira.
A juntar-se à festa está a retrospectiva a 2 célebres realizadores: o argentino Gaspar Noé, que ganhou nome com o seu polémico filme Irréversible, e que nesta edição conta com a exibição de 4 filmes, e o já referido Sharumas Bartas que terá em exibição 6 obras, 2 delas com produção portuguesa, a cargo de Paulo Branco.
Cartagena dá ainda destaque ao sangue novo e, como já tem acontecido em edições anteriores, este ano exibe 14 filmes de realizadores que dão os primeiros passos na indústria, um deles com co-produção portuguesa: o filme Olivia de Atsushi Kuwayama, que nos fala de uma mulher do norte de Portugal, com uma vida carregada de histórias.

A NÃO PERDER





São muitos os filmes que este ano estado em exibição na 56ª edição do maior festival de cinema da américa latina, e são ainda mais as razões para os ver todos, no entanto destacamos alguns que sabemos serem as jóias no cartaz do festival colombiano, são elas: Carneros, do islandês Gramar Hásonarson; Cementery Of Splendour do tailandês Apichatpong Weerasethakul; o grego Chevalier de Athina Rachel Tsangari; Chronic do britânico Michel Franco; a produção franco-italiana Mia Madre do mítico Nanni Moretti; No Home Movie do belga Chantal Ackerman; Taklub de Brillante Mendonza, das Filipinas; e The Assassin, uma produção chinesa de Hou Hsiao-Hsien.

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