FESTIVAL DE BUENOS AIRES COM PORTUGAL NO CORAÇÃO

08/04/2016
Está mesmo a começar a nova edição do Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires, este ano com a exibição de 10 filmes portugueses. 3 deles a integrar a competição pelo maior prémio do festival.

No ano em que atinge a maioridade, o festival argentino chega com vontade de pôr Buenos Aires a mexer. Este ano expande-se em todas as direções da cidade e cobre mais território do que nunca. Com novos locais de exibição, mostras gratuitas, cinema ao ar livre e bom cinema português.

É já em abril que arranca o festival: o BAFICI começa dia 13 deste mês e estende-se até dia 24. Na bagagem conta com cerca de 400 filmes, 10 deles portugueses. Destes, 3 entram na competição para o título de melhor filme. No programa está ainda uma homenagem a Paulo Branco, um dos mais influentes produtores portugueses de cinema. 

 

UM MARCO NA CULTURA ARGENTINA

O festival que sempre tomou a cidade de assalto está cada vez mais forte. Chega aos 18 anos emancipado e com vontade de mudar o mundo através da 7ª arte e de mostras de filmes que servem todos os gostos.

Tudo começou em 1999. Na altura o festival, organizado pela Secretaria da Cultura da Cidade de Buenos Aires, estendia-se apenas a algumas salas de cinema não comercial mas nesse ano conseguiu logo convidados de peso como Francis Ford Copolla, Todd Haynes, Paul Morrissey, entre outros; teve em exibição mais de 150 filmes e contou com cerca de 120.000 espectadores, fatores que lhe deram uma credibilidade instantânea, uma razão para continuar e se tornar numa referência.

E assim foi. A partir daí os números começaram a subir e a as atividades a ficar cada vez mais diversificadas, que fez com que a cidade de Buenos Aires, todos os anos, espere o festival com uma ansiedade cinematográfica e que o mundo lhe ponha a vista em cima sempre por alturas de abril.











Este ano o BAFICI está recheado de razões para lhe prestarmos atenção, e não falamos só dos filmes que vai exibir ou das mil e uma atividades paralelas. Porque no meio disto tudo, o festival de Buenos Aires, tem ainda um cantinho especial dedicado a Portugal.



PORTUGAL REPRESENTADO NA ARGENTINA







"Bunker”, produzido por O Som e a Fúria e "Undisclosed Recipients”, produzido pelo Festival de Curtas de Vila do Conde, são 2 curtas metragens de Sandro Aguilar; "A Glória de Fazer Cinema em Portugal”, produção das Curtas de Vila do Conde, realizado por Manuel Mozos; "Entrecampos” com produção d’O Som e a Fúria, outra das curtas de João Rosas; "Montanha”, a primeira longa-metragem de João Salaviza coproduzida por Filmes do Tejo e Les Films de L´Àpres Midi; o filme em 3D, "O Espectador Espantado” de Edgar Pêra e produzido por Bando à Parte; e o filme coletivo "Aqui, em Lisboa”, rodado por Denis Côté, Dominga Sotomayor, Gabriel Abrantes e Marie Loser, e produzido pelo IndieLisboa.

A competir pelo título de melhor filme do festival de Buenos Aires estarão 3 filmes:

A longa-metragem "John From” de João Nicolau e produzida pela Som e a Fúria e as curtas "Maria do Mar”de João Rosas e também produzida pelo Som e a Fúria e "Cinzas e Brasas” de Manuel Mozos com produção da Papaveronoir.



PAULO BRANCO







Mas o destaque dado a Portugal não fica por aqui: o festival vai homenagear Paulo Branco. O produtor português já produziu até hoje mais de 200 filmes, trabalhou com os mais importantes realizadores portugueses - falamos de Manoel de Oliveira, João César Monteiro, João Canijo, João Botelho, Teresa Villaverde ou Pedro Costa; e internacionais - como Wim Wenders, David Cronenberg, Alain Tanner, Werner Schroeder, Raúl Ruiz, Chantal Ackerman, Valeria Bruni-Tedeschi, André Techiné, Christophe Honoré, Danièle Dutroux, Christine Laurent, Jerzy Skolimowski, Sharunas Bartas, Paul Auster entre muitos outros.

Hoje, Paulo Branco dirige a produtora Alfama Films em Lisboa e em Paris. Dirige ainda a Medeia Filmes e a Leopardo Filmes. Já teve os seus filmes distinguidos nos mais importantes festivais de cinema nacionais e internacionais (onde também foi júri) e este ano, o BAFICI continua a homenagem.

O produtor terá direito a uma retrospectiva com vários filmes nos quais trabalhou, entre os quais, "Posto Avançado do Progresso” de Hugo vieira da Silva, "Cosmos” de Andrzej Zulawski, "As Bodas de Deus” de João César Monteiro e "O Estado das Coisas” de Wim Wenders.

BACIFI, O INDEPENDENTE







BAFICI continua o seu papel de veículo fundamental na promoção do cinema independente e uma vitrine para filmes ousados e inovadores. Continua a vestir Buenos Aires de bom cinema e a mostrar que a arte de fazer filmes não se fecha aos parâmetros de Hollywood. BACIFI não é apenas mais uma razão para rumar à argentina, é o objetivo.