FACA, O FESTIVAL QUE CRUZA ANTROPOLOGIA, CINEMA E ARTE

14/03/2016
A Festa de Antropologia, Cinema e Arte projeta-se nas artes e nos complementos que enriquecem a 7ª arte com mostra de filmes sobre o urbanismo em Lisboa e no mundo.

FACA nasceu do diálogo entre a produção académica e o trabalho artístico, para os discutir, festejar e divulgar nomes que ainda só agora começaram a brotar no panorama artístico do cinema português e internacional. 

 

O FESTIVAL E LISBOA






Organizada pelo Núcleo de Antropologia Visual e da Rede do Centro em Rede de Investigação (CRIA), o foco da edição deste ano está no Fenómeno Urbano com a cidade de Lisboa a estar sempre em plano de fundo dos filmes portugueses exibidos.

O arranque desta edição foi dado através de um Workshop participativo Working with Art, Film and Anthropology, voltado para alunos, artistas, cineastas e antropólogos para se seguir uma conferência sobre a antropologia visual e as relações entre a arte e antropologia, pela mão de Arnd Schneider. Mas é o cinema que nos interessa, por isso comecemos a falar dele.

A FESTA DIVIDIDA EM 2 PARTES






Na sexta e no sábado, a Cinemateca Portuguesa terá a programação dividida em 2 partes: uma será dedicada ao já referido fenómeno urbano da cidade de Lisboa, com a apresentação de vários trabalhos realizados por estudantes portugueses de culturas visuais; e a outra sobre o espaço urbano de uma forma mais geral, através da seleção de filmes internacionais que se destacaram na produção etnográfica dos últimos anos.

PRIMEIRA PARTE: OS FILMES PORTUGUESES






A 1ª parte será composta somente por 8 filmes portugueses realizados pelos alunos de cursos de pós-graduação em Culturas Visuais em Portugal:

Casa Múltipla, Casa imaterial de Cristina Barreto é um ensaio sobre casas, sobre o sentimento de pertença e a construção do sujeito. Uma auto-etnografia que explora peças aparentemente desconexas de uma identidade fragmentada. Uma montagem de memórias e imagens de arquivo saturadas dos anos 90;

Despedida de Laira Ramos tenta mostrar o retrato de uma geração, onde 2 portugueses que se despedem de Lisboa para um destino indefinido. Mas porque partem de Lisboa? Para ir embora de vez? Partem para não voltar? Ou partem para ficar um tempo afastados da cidade? O que os leva a sair e a trilhar um caminho indefinido?;

Às Portas de Lisboa de Marta Ramalho mostra-nos os artesãos que em tempos se estabeleciam em torno do Castelo de Lisboa e que, apesar de uma grande diminuição no seu número, continuam presentes nos dias de hoje;

Cais de Marta Covita Cais é um filme contemplativo de situações do quotidiano que têm lugar no Cais das Colunas em Lisboa. Mais do que tornar clara a percepção urbanística do próprio espaço, o interesse passa por captar a sua abstração;

Cada Coração, Um Universo de Maria Isabel Lemos mostra-nos Andreia, um fenómeno enraizado num dos bairros sociais do Santos ao Rego, na cidade de Lisboa. Cercada pelas contradições de seu quotidiano, impõe a sua forte personalidade ao mundo enquanto oscila entre a convivência com ciganos e o trabalho num restaurante turístico no Campo das Cebolas;

Se Estas Paredes Falassem de Inês Pedrosa e Melo mostra-nos a livraria alfarrabista Espaço Ulmeiro, escondida algures em Benfica e que é um microcosmos de cultura e resistência, onde os livros têm percursos de vida e onde a população local converge e se reúne há quase 50 anos.

Josefina dos Prazeres de Alfredo Martins é um olhar breve sobre a morte ou sobre a experiência da morte culturalmente constituída. Uma história de vida encaixada no quotidiano de um cemitério, partilhando o espaço e o tempo com outras histórias de vida e de morte;

SEGUNDA PARTE: OS FILMES INTERNACIONAIS






Na 2ª parte, a cidade e o espaço continuam em destaque com o protagonismo a desvendar um conjunto de filmes realizados ao longo da última década por alunos do Granada Center for Visual Anthropology da Universidade de Manchester:

Shooting Freedom de Keiran Hanson da Serra Leoa, acompanha 3 pessoas que tentam forjar o seu caminho no cinema e na música na capital do país, enquanto enfrentam lutas constantes com visão e desenvoltura. Ao incorporar projetos de vídeo colaborativo, as suas histórias oferecem uma nova perspectiva da cidade de Freetown pós-guerra, apresentando-a ao mundo através da sua própria lente;

Made in Trenchtown da jamaicana Esther Maagdenberg é o produto de uma colaboração com 3 adolescentes de Trenchtown, um gueto em Kingston na Jamaica, controlados por senhores da droga. Enquanto Philomena, Diamond e Stephan levam a câmara, ficamos a conhecer os seus amigos e familiares, assim como os seus sonhos e talentos. Esta colaboração permite-nos conhecer  os personagens na primeira pessoa, enquanto a natureza reflexiva do filme nos mostra a realidade política da região;

Making it Big in Berlin da alemã Claudia Goldberg mostra Berlim ainda como uma cidade com rendas baixas e espaços para o desenvolvimento de ideias criativas. Onde os trabalhadores independentes vivem longe da rotina típica daqueles que trabalham das 9h às 5h. Um proprietário de um café, um jornalista freelance e dois dançarinos contemporâneos oferecem uma visão intimista sobre os seus diferentes estilos de vida.

MAIS 2 FILMES EM DESTAQUE






O FACA apresenta ainda mais 2 filmes que são os mais representativos da produção etnográfica contemporânea mundial com a exibição de Skin has Eyes and Ears, uma exploração da experiência sensorial de espaço e tempo entre o povo Ambonwari na Papua-Nova Guiné; e A Place for Everyone, um filme que explora a geografia humana de uma aldeia no Ruanda, 20 anos após o genocídio, através da vida de Tharcisse e Senoite, 2 jovens ruandeses em busca de um lugar entre o amor e ódio, a vingança e o perdão.